quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Faça a sua escolha...

2009 está para começar. Momento próprio para reflexões, né? O que fizemos de errado e pode ser corrigido no ano novo? Projetos engavetados que mereceriam perder a poeira. Perdões não consumados. Promessas... promessas... tantas promessas que fazemos a nós mesmos já sabendo que em grande parte não teremos perseverança suficiente para concluir. Mas tudo bem, depois vem o reveillon de 2010 pra gente prometer tudo de novo. Só não sejamos tão injustos, oras. Afinal, uma fase dessas, mesmo simbólica, pode realmente servir para renovar muita coisa. Especialmente dentro da gente. A mudança começa no olhar que miramos as coisas. Em tudo, eu disse TUDO, sempre poderá haver pelo menos duas formas de ‘tradução’ na prática. E normalmente versões antagônicas. Reforçando o padrão: o lado bom e o lado mal de cada história. Positivo ou negativo. Otimista ou pessimista. Basta a gente escolher como queremos enxergar aquele contexto. Filosófico demais? Não, real...

Hoje vou contar uma história verídica de um pai e seu filho que ilustra bem como uma tragédia pode se transformar numa linda conquista. Sem filosofia, mas com muita pratica. Estou falando de Dick e Rick Hoyt (foto ao lado), dois homens comuns de classe média da pequenina Winchester, no Estado norte-americano da Virginia. Rick quase morreu no parto. Foi estrangulado pelo próprio cordão umbilical, acidente que deixou sérias sequelas para o resto de sua vida. A lesão cerebral o impediria a ter uma vida normal. Dick, um militar e esportista nato, tinha agora um ‘vegetal’ pra cuidar e não o filho saudável que tanto sonhou. Os pais se mexeram ao longo dos primeiros anos tentando encontrar uma saída que não fosse deixar Rick numa instituição própria para deficientes, conselho dado pelos próprios médicos. Ele não falava, não andava sozinho, não se alimentava sem ajuda, mal podia mover seus braços. Parecia faltar tudo na vida de Rick. Mas o principal ele teve na conta certa. O amor incondicional de seu pai. Anos mais tarde, separado da mulher, com o filho sozinho para cuidar, reformado do exército e aos 58 anos de idade, Dick começou a observar algo diferente no filho. Na frente da TV onde ele passava horas, Rick demostrava um comportamento curioso quando via algo em especial na telinha. As provas de triatlon causavam um entusiasmo no jovem. O pai reparava que seus olhos ficavam vidrados no monitor nessa hora, os braços sem coordenação alguma se movimentavam e ele emitia alguns ruidos entusiasmados. Dick sentia que seu filho ‘participava’ de cada prova que assistia pela TV. Foi ai que ele tomou a decisão em tornar real esse anseio do filho. O amor traduziu a vontade de Rick e fortaleceu o pai a concretiza-la.

Dick recomeçou a treinar, criou uma cadeira de rodas própria para corrida, uma bicicleta com a garupa certa para Rick e até um bote com uma corda amarrada ao seu corpo. Ele estava pronto para nadar, pedalar e correr junto com Rick. Foram alguns anos de exaustivas 212 provas de triatlon ao redor dos Estados Unidos. Quatro delas em distâncias para poucos. O percurso ironman tem esse nome não por acaso. Um atleta tem de ser de ‘ferro’ para cumprir quase 5km de natação, 180km de ciclismo e finalmente 42km de corrida. A epopéia dos Hoyt envolveu também outras aventuras como escalada montanhas, provas de esqui e até uma travessia de ponta a ponta pelos Estados Unidos numa bicicleta adaptada. Sempre em dupla. Na temporada de 2006, Dick aos 65 e Rick com 43 anos de idade completaram a Maratona de Boston na posição de número 5.083 entre mais de 20 mil participantes. De todas as maratonas de que participaram, quer saber o melhor tempo da parceria? Duas horas e 40 minutos em 1992, apenas 35 minutos atrás do recorde mundial na época. E eu lembro: marca estabelecida por um jovem homem altamente preparado que corria sozinho, sem precisar empurrar ninguém numa cadeira de rodas durante o percurso.

Essa história de amor e perseverança atravessou o globo e o Youtube pussui inúmeros vídeos sobre a familia Hoyt. Eu selecionei aqui dois deles. O primeiro é um clip de imagens justamente no Ironman do Hawaii, mais famoso do calendário internacional, onde o competidor que não alcance um tempo minimo em cada passagem é retirado da prova. Uma competição para poucos, como eu disse. Mas os organizadores abriram uma especial excessão para a equipe Hoyt poder chegar ao fim já a noite, depois de um dia todo em movimento. O outro vídeo é uma matéria de emissora norte-americana contando um pouco dessa tragetória vitoriosa.

Pois bem, amor de pai que trouxe alegria e oportunidades para o filho amado. Mas essa vida, surpreendentemente, muitas vezes apresenta caminhos de duas vias. Há dois anos, Dick teve um leve ataque cardíaco durante uma prova. Os médicos descobriram que uma de suas artérias estava quase que totalmente entupida. Eles garantiram que se Dick não tivesse voltado a se dedicar ao esporte, provavelmente já teria morrido anos antes. É incrível, mas tanto pai quanto filho salvaram a vida um do outro.

Gostaria muito que essa história pudesse inspirar você, como fez comigo. E que nesse ano, que apenas se inicia, você possa processar suas verdadeiras e necessarias mudanças. Ai dentro de ti. Lembrando sempre que existem, ao menos, duas formas de se encarar cada coisa na vida. Faça como Dick e opte pela melhor dentre todas.
E feliz escolha... feliz 2009!


Rick, depois de formado, trabalha hoje com informática e mora em seu próprio apartamento na cidade de Boston, recebendo apoio médico constante. Dick vive em Massachussets. Eles sempre arrumam um jeito de se encontrar e correrem juntos. Quem duvida que ambos são realmente felizes?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Pequim ou Beijing?

Essa dúvida pega muita gente aqui no Brasil. Desde minha época de escola (e com você não deve ter sido diferente), ensinavam que a capital da China é Pequim. Mas porque será que vemos tanto a palavra Beijing referindo-se ao mesmo local? Na imprensa brasileira, por exemplo, encontramos veículos de comunicação que usam essa segunda denominação em matérias ou até mesmo nome de programas e quadros em tele-jornais esportivos. Na realidade as duas denominações da capital chinesa estão corretas. O departamento cultural da Embaixada da República Popular da China no Brasil nos ensinou que ambos são transcrições fonéticas do nome original. Pequim é baseada na fonética portuguesa, por isso sempre foi utilizada assim no Brasil. Já Beijing, mais próximo a fonética original, acabou sendo adotada por quase todos os países do globo. Os chineses, mesmo, quando escrevem o nome da capital em nosso alfabeto usam esta forma de transcrição. Aqui no Brasil as duas maneiras são aceitas, embora a mais próxima da real pronuncia seja Beijing, denominação adotada em nosso weblog.
Mas vamos saber um pouquinho mais desta cidade com história secular? O surgimento de Beijing (ainda sem esse nome) ocorreu em meados do século XIII graças a influencia direta de grandes lideres conquistadores mongóis como Genghis Khan e Kublai Khan. Este último, inclusive, a institui como capital da sua força (Beijing fica bem ao norte da China, próxima a Mongólia) já visando a conquista de todo o império chinês. Mas seus planos em se tornar imperador não se concretizaram. Em 1403, Zhu Di (terceiro imperador da dinastia Ming) transferiu a capital de seu império para aquela cidade, a partir daí batizando-a de Beijing, que significa ‘Capital do Norte’.
A Cidade Proibida (um dos pontos turísticos mais conhecidos de lá e cujo portão principal pode ser visto na foto ao lado) foi construída entre 1406 e 1420. Era a residência oficial do Imperador e toda sua corte, sendo que aquele nome só foi determinado séculos mais tarde como contamos mais à frente nesta matéria. Em 1911 o império caiu e foi instaurada a Republica da China com a transferência da capital para Nanjing. A antiga capital foi então renomeada como Beiping (Cidade da Paz). E esse ‘troca-troca’ histórico continuou agora em mãos japonesas. Durante a 2º Guerra Nipo-Chinesa, o Japão invadiu o norte daquele país-continente e a partir de 29 de julho de 1937 tomou posse da cidade. Foi instituído um governo provisório do norte orquestrado pelo império japonês até a rendição deles ao final da 2ª Guerra Mundial em 15 de agosto de 1945. Pouco depois, a partir de janeiro de 1949, veio a revolução comunista e Mao Tse Tung criou a República Popular da China, devolvendo o nome original a Beijing e o status de capital federal. Com isso, o antigo palácio do Imperador foi fechado a sete chaves e o local recebeu a denominação de Cidade Proibida, título que permaneceu mesmo depois da abertura dos seus portões ao turismo. Dois outros pontos históricos da cidade são o Templo do Céu (construído em 1420) e a Praça da Paz Celestial (que após ter sido incendiada por duas vezes, foi reconstruída em 1651). Esse local também foi amplamente divulgado pelo mundo, numa história mais recente, com gigantescos protestos populares (maio e junho de 1989). Neste triste episódio da história, morreram milhares de estudantes chineses dizimados covardemente pelo exército comunista.
Mas uma cena eternizou-se como símbolo da resistência popular. Quem não se lembra dos tanques de guerra invadindo o espaço daquela praça e sendo enfrentados corpo-a-corpo por aquele jovem estudante?
Nas próximas semanas vamos contar e relembrar outras histórias interessantes de Beijing. Hoje mais reconhecida como uma verdadeira capital do esporte mundial.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Quantas modalidades são olímpicas?

Tem gente que diz que são 28 os esportes programados para os próximos Jogos Olímpicos. Outros divergem: “não, são 38!” Alguns batem o pé no número de 35 modalidades olímpicas. Mas, por que essa discrepância em relação a algo aparentemente básico envolvendo o maior evento esportivo do Planeta Terra? Vamos entender um pouco as razões dessa ‘variação’ numérica. Na verdade, existem 28 Federações Internacionais que regulamentam modalidades disputadas no atual programa olímpico. Algumas delas organizam mais de um esporte como é o caso da Federação de Natação (FINA) que também cuida de outros três esportes de piscina (Nado Sincronizado, Pólo Aquático e Saltos Ornamentais), além da mais nova modalidade olímpica que é disputada em águas abertas (Maratona Aquática). Na contabilidade olímpica há quem some cinco esportes aquáticos em Beijing’2008 e outros consideram quatro (nesse caso, tendo a Natação em piscina ou no mar como uma única modalidade). O Ciclismo tem um caso parecido já que sua maior federação (UCI) possui quatro modalidades: Ciclismo em Pista, Ciclismo em Estrada (tem muita gente que considera estes dois como sendo um esporte único), Mountain Bike e a caçula BMX ou Bicicross. Na conta final, dependendo do critério usado, poderemos ter três ou quatro modalidades olímpicas sobre duas rodas. A Canoagem através da sua entidade internacional (ICF) tem provas de Slalom (em corredeiras) e Velocidade (em raia olímpica, como no remo) com diferentes especialistas somando ‘um’ ou ‘dois’ ao número final de esportes olímpicos. Não perca a conta ai, heim, tem mais. A FILA deste 1972, em Munique, realiza torneios olímpicos de Luta Livre e Luta Greco-Romana, duas modalidades também semelhantes, que muitos generalizam apenas como Lutas Olímpicas. Já a Federação de Ginástica (FIG) vai coordenar três esportes (estes muito mais distintos entre si) nos próximos Jogos Olímpicos com a Ginástica Artística (já chamada em outra época de Ginástica Olímpica), Rítmica (até pouco tempo denominada G.R.D. ou Ginástica Rítmica Desportiva) e o Trampolim. Os esportes coletivos também têm outro exemplo, o Voleibol. A FIVB terá em Beijing o Voleibol de quadra e o Vôlei de Areia (ou praia). Se você, então, considerar isoladamente cada esporte disputado poderá chegar a soma total de 40 modalidades olímpicas (ufa, essa dezena redonda parece razoável), número que preferimos adotar aqui em nosso weblog. A partir de agora, então, quando ouvir esses 'desencontros' entenda as razões e adote a conta final mais sensata na sua opinião.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Contagem regressiva...

Faltam 10 meses para a abertura dos 29º Jogos Olímpicos da Era Moderna. Em exatos 304 dias o Estádio Nacional de Beijing vai realizar a cerimônia de abertura mais aguarda da história. Alguém duvida que os 91 mil lugares do ‘Ninho dos Pássaros’ (como também é chamado o mais importante local destes Jogos que pode ser visto na foto abaixo) estarão totalmente tomados? Afinal, como já era esperado, os preparativos para a festa inaugural estão cercado de absoluto mistério. Sabe-se apenas que a parte artística do evento deverá durar no máximo uma hora e meia, um espetáculo da rica cultura oriental muito esperado. Uma outra grande interrogação passou a envolver este ‘pontapé inicial’ de Beijing’2008. O Comitê Organizador (BOCOG) anunciou recentemente que estará recebendo até o próximo mês de abril fotos com rostos de crianças sorrindo vindas dos quatro cantos do globo. Essas imagens, segundo o porta-voz chinês, “poderão” ser utilizadas no decorrer da cerimônia. Suspenses à parte, além do show, a tradição olímpica prevê para o dia oito de agosto de 2008 aquele animado desfile com os representantes de todos os países participantes (em Atenas houve o recorde de 201 países que poderá ser superado ano que vem), o acendimento da Pira Olímpica (outro mistério muito especulado: quem será o último atleta a conduzir a tocha?), sem contar toda aquela praxe protocolar com a declaração de abertura, hasteamento da bandeira olímpica assim como os juramentos de atletas e juízes. Uma cerimônia com tempo total entre três e quatro horas de duração
Beijing deverá superar muitos recordes, além das marcas homologadas nos seis esportes de performance (atletismo, natação, ciclismo, levantamento de peso, tiro esportivo e tiro com arco). É previsto um número ainda maior que os 10.625 atletas que competiram nos Jogos de 2004. Com as novas provas integradas ao programa olímpico (nos próximos dias iremos publicar uma matéria específica disso) deveremos ter a realização de 306 cerimônias de premiação em Beijing’2008, contra 301 dos Jogos passados. Agora, o que chama ainda mais a atenção é a mobilização popular. O mais populoso país do mundo (estima-se hoje cerca de 1 bilhão e 300 milhões de chineses) deverá ser uma garantia de arquibancadas sempre cheias. Estes Jogos movimentarão um total de 100 mil voluntários credenciados, mais do dobro que a edição realizada na Grécia e dez vezes mais que o excelente número do staff brasileiro nos recém organizados Jogos Pan-Americanos Rio’2007. Estima-se também que, através das imagens da televisão, mais de quatro bilhões de pessoas em todo o mundo verão os próximos Jogos Olímpicos. Esta mesma estatística realizada em Atenas’2004 contabilizou cerca de 3,9 bilhões de telespectadores nos cinco continentes.
Além da capital chinesa, outras seis cidades irão sediar provas olímpicas em 2008:
Qingdao com as competições de Vela, Hong Kong vai receber os maiores conjuntos hípicos em três provas, e outras quatro cidades irão sediar partidas da fase preliminar do Futebol (Tianjin, Shanghai, Shenyang e Qinhuangdao).